quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

reflexões sobre mr. darcy e a sua consequência nas nossas cabecinhas

Laurence Olivier, Peter Cushing, Lewis Fiander, David Rintoul,
Colin Firth, Martin Henderson, Matthew Macfadyen, Elliot Cowan
e Daniel Vincent Gordh, todos Darcys!
Entre os amantes dos bons romances literários, parece ser um consenso geral que Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito, é o homem ideal. Toda mulher que lê o romance de Jane Austen chega ao final do livro com um único desejo nessa vida: um Darcy pra chamar de seu. E muitas já falam isso dizendo que é impossível porque nunca vai existir na realidade um homem perfeito assim. Daí eu acho graça de como todo mundo parece esquecer-se de como ele foi um completo babaca com Elizabeth Bennet, pelo menos no começo do livro.
Não me entenda mal. Eu sou uma dessas que quer um Darcy para chamar de seu. Tendo Orgulho e Preconceito como meu livro preferido, a adaptação de 2005 como meu filme favorito e estando atualmente obcecada com a adaptação para os dias atuais via YouTube, The Lizzie Bennet Diaries (se ainda não viu, veja!), seria bem difícil negar essa minha vontade. Mas eu acho interessante, por assim dizer, a maneira como nós consideramos Darcy o cara perfeito.
Com Orgulho e Preconceito, ao contar a história de como as primeiras impressões podem nos enganar e a partir dela usar de sua ironia (já no primeiro parágrafo sentimos o tom usado pela autora: “It is a truth universally acknowledged that a single man in posession of a good fortune must be in want of a wife” - eu não tenho nenhuma cópia em português por aqui pra citar traduzido, sorry!) para criticar a sociedade em que vivia, Austen estabeleceu a base para várias comédias românticas que assistimos hoje em dia. Rapaz conhece moça, eles não se gostam de cara, mas acabam se conhecendo melhor através de transtornos e daí descobrem que na verdade se amam. Em O&P, os transtornos que Elizabeth e Darcy acabam por superar são justamente parte de suas personalidades: a vaidade, o orgulho e o preconceito.
Ao se declarar e pedir Elizabeth em casamento pela primeira vez, Darcy deixa claro todos esses três sentimentos embutidos em sua personalidade. Diz que a ama e que a quer como esposa apesar dela ser de classe inferior, insulta a família dela ao fazê-lo, e ainda surpreende-se ao ser rejeitado, pois sua vaidade jamais conceberia que um homem como ele o poderia sê-lo. Então, é, Darcy era um babaca completo! “Oi, eu mal posso acreditar que isso seja possível e isso vai de encontro a tudo o que eu acredito, mas eu te amo, casa comigo”. Romântico, não? Claro que depois da rejeição (ainda precisa dar alerta de spoiler sobre um livro que foi publicado há 200 anos?), ele revê os seus conceitos e suas ações. E o mesmo acontece com Elizabeth, que após conhecê-lo melhor, acaba deixando de lado os seus pré-julgamentos.
O que eu quero dizer com isso é que não há a impossibilidade de se existir um (ou vários) Mr. Darcys por aí nesse mundo. Por que o que não é a história de amor dele e Lizzy senão a história de como podemos rever as nossas atitudes e conceitos sobre a vida e sobre a outra pessoa? Darcy e Elizabeth eram perfeitos, mas um para o outro. Eles eram extremamente parecidos e em seus defeitos, levaram-se a ser pessoas melhores. Por isso que não acho impossível encontrar um Mr. Darcy por aí dando sopa. Porque não é sobre o cara ideal e sim sobre o relacionamento ideal, sobre pessoas similares que se levam a ser o melhor de si. E eu acredito que isso seja o que todo mundo devia estar procurando por aí, e não a pessoa perfeita. Acho que evitaria um monte de desilusões e esperanças frustradas.